Robert F. Kennedy Jr., um Secretário de Saúde que quer distorcer a ciência

O caos reina dentro do principal órgão de saúde americano, cujo diretor foi demitido pelo secretário de Saúde americano, Robert F. Kennedy Jr. Cético em relação às vacinas, este chegou a exigir a retratação de um estudo que concluiu não haver relação entre o alumínio nas vacinas e os transtornos do espectro autista, informou a revista científica “Nature” há alguns dias.
O Cirurgião-Geral dos EUA e cético em relação às vacinas, Robert F. Kennedy Jr., pediu a retratação de um estudo dinamarquês que não encontrou ligação entre o alumínio em vacinas e certas doenças crônicas infantis — uma atitude incomum para um alto funcionário americano. O alumínio tem sido usado há quase um século para melhorar a resposta do sistema imunológico a certas vacinas. Mas alguns argumentam que o adjuvante está ligado a um aumento de transtornos de início na infância, como o autismo.
É raro que autoridades de saúde pública em cargos como o de Kennedy solicitem a retratação de estudos, afirma Ivan Oransky, especialista em publicações acadêmicas e cofundador da organização de mídia Retraction Watch. Com esse pedido, "o Secretário Kennedy demonstrou que deseja que a literatura científica se curve à sua vontade", afirma.
O estudo em questão, publicado em julho no periódico Annals of Internal Medicine, é um dos mais abrangentes do gênero: abrange 1,2 milhão de crianças nascidas ao longo de um período de mais de vinte anos na Dinamarca. Os autores concluem que não há risco significativo de doenças autoimunes, alergias ou distúrbios do neurodesenvolvimento associados ao experimento.
Aproveite a oferta digital especial para acessar todo o nosso conteúdo sem limites.
Courrier International